Como Duna se tornou um dos maiores fenômenos do cinema moderno?
As opiniões de um leitor cinéfilo
Por Diego Gonçalves

Em um mundo futurista, tão futurista a ponto de a humanidade ter se espalhado por galáxias, mora um planeta extremamente impiedoso, onde um recurso tão básico como a água se torna luxo e, de certa forma, até profético: Arrakis, palco principal da trama de Duna, livro escrito por Frank Herbert em 1965.
Duna sempre foi considerado um livro inadaptável devido às grandes proporções de escala do seu enredo. Em 1984, o diretor David Lynch fez uma tentativa, mas acabou levando um belo banho de água fria: cadeiras de cinema vazias e críticos confusos com uma história apressada e muito difícil de entender. Outra coisa que explica o fracasso foi a concorrência ao lado: O Exterminador do Futuro e Ghostbusters, sucessos da época que acabaram ofuscando o nosso lírio do campo.
E aqui estamos, em pleno 2026, com dois filmes já lançados, e Duna agora encerra sua trilogia em dezembro, sob a direção do nosso querido Denis Villeneuve, que não baixa a cabeça e encara de frente a estreia de Vingadores: Doomsday, marcada para o mesmo dia. Mal posso esperar pela disputa de Timothée Chalamet, interpretando um querido jovem em meio a disputas políticas intergalácticas, conspirações religiosas e uma sede por tirania, contra nosso amado Homem de Ferro, agora de capuz verde, aterrorizando o multiverso.
Tenho que confessar uma coisa: quando soube que Duna seria lançado, logo corri para ler o livro. Foi uma luta incessante no início. Frankzinho ama inventar palavras novas, e demorou demais para eu, como leitor, tentar entender o que estava acontecendo, até que, em meio a tudo isso, a história tem uma reviravolta e nosso protagonista Paul é obrigado a abandonar os luxos do palácio e sobreviver em um deserto que esconde uma sociedade oprimida e enormes vermes que se escondem nas areias e devoram, sem piedade, quem pisa no lugar errado. Ao terminar esse calhamaço de 700 páginas, a sensação não podia ter sido diferente: eu tinha lido uma obra-prima. Frank consegue, neste livro, não só estruturar um universo denso e palpável, demonstrar o culto a um líder como o começo de seu lado tirânico e até mesmo tecer críticas ecológicas ao traçar paralelos entre o planeta desértico infernal e o nosso globo azul.
Ver nas telonas esse mundo pelo olhar de Denis Villeneuve, em 2021, foi de abrilhantar os olhos. O diretor conseguiu traduzir o colosso dos vermes de areia ao mesmo tempo em que, ao fundo, ocorria a exaltação religiosa de um salvador que lideraria uma revolução. A continuação, em 2024, elevou o nível ainda mais ao levar Timothée Chalamet e Zendaya a um romance em meio às areias cercadas de monstros. Com um elenco de peso, Duna: Parte Três estreia em 17 de dezembro e é uma ótima opção para quem não acompanhou todos os 40 filmes e 20 séries da Marvel Studios.
No fim, sobreviver às primeiras páginas de Duna é quase um ritual de passagem. No começo, tudo parece estranho demais, complicado demais e cheio de termos que dão vontade de voltar algumas páginas só para conferir se você entendeu certo. Mas quem insiste descobre um universo enorme e fascinante. E ver esse mundo ganhar forma nas telas depois de tanto esforço é como finalmente enxergar o deserto que antes existia só na imaginação.




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