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Resenha Literária: Sangue Sobre Bright Haven

revistasorciere
9 de jul.
2 min de leitura

Por Allyne Bentes


Imagem/Reprodução
Imagem/Reprodução

Em Tirana, a ambição não era considerada uma característica feminina. Ainda assim, tudo o que Sciona mais queria era se tornar uma Alta Maga. O problema é que, quando mulheres desejavam ser mais do que os papéis tradicionais de gênero lhes permitiam, trilhavam um longo e tortuoso caminho.


Sangue Sobre Bright Haven, da escritora M.L. Wang, é um livro de alta fantasia pertencente ao subgênero dark academia, com fiapos de romance. Apesar de ser volume único e ter apenas 400 páginas, a obra retrata com maestria um mundo complexo e brilhante, onde a verdade e a busca pelo conhecimento são veneradas.


Sciona, nossa protagonista, é uma mulher madura e inteligente que não tem dúvidas sobre sua competência em magia. Ela carrega o peso, em seus ombros, de ser a primeira mulher aceita na Alta Magistratura, o que poderá abrir portas para futuras pesquisadoras. Mas não se engane: nossa querida Alta Maga é boa em tudo, menos em ser altruísta. Afinal, como teria tempo para pensar em outras pessoas além dela mesma? Precisava passar todos os minutos possíveis estudando e se esforçando ao máximo para não dar aos outros magos nenhum motivo, além de seu gênero, para fazê-la se sentir inferior. Então, tudo e todos que não tinham relação com a Universidade eram, para Sciona, simplesmente invisíveis.


“Sciona tinha passado todos esses anos lamentando a maneira como os homens pisavam nas mulheres para chegar aonde queriam. Ao se recusar a ser um degrau, ela tinha se transformado em uma bota”.

A bolha que cerca a mente impressionante de Sciona só é furada quando ela é obrigada a trabalhar com um improvável ajudante, Thomil. E então a maga começa a perceber que as mulheres não são as únicas a servir de degraus para os poderosos homens de Tirana.


Sangue Sobre Bright Haven é um livro engenhoso: retrata um mundo totalmente diferente do nosso, mas, ao mesmo tempo, nos assusta com todas as semelhanças que começamos a enxergar nele. Afinal, M.L. Wang escancara, por meio de uma fantasia sombria e viciante, que o oprimido e o opressor podem ser a mesma pessoa. No livro, as interseccionalidades, as desigualdades e os silenciamentos, mesmo que invisíveis, são os alicerces que sustentam a majestosa cidade de Tirana.

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