Resenha filmográfica: Michael
Por Laura Lima

É bem raro encontrar alguma pessoa nascida até o comecinho dos anos 2000 que não tenha ouvido falar de Michael Jackson, direta ou indiretamente, o artista fez parte da infância de gerações espalhadas pelo mundo inteiro.
Com o lançamento da filmobiografia Michael, o público pôde assistir na tela partes da trajetória do artista, o sentimento de nostalgia provocado pelo filme não só tem gerado milhares de relatos comovidos nas plataformas digitais, como também tem refletido nos números de visualizações de suas músicas e videoclipes, que vem aumentando consideravelmente desde o lançamento do filme.
É preciso esclarecer que muita coisa ficou de fora, primeiro porque é impossível resumir uma vida inteira, com a precisão desejada, em um filme de 2h07min; segundo, porque alguns acontecimentos e pessoas foram proibidos de serem retratados; e terceiro, porque a produção planeja lançar uma continuação que abrange o período final da vida do artista, incluindo o nascimento dos filhos e parte das polêmicas que o rodearam.
Mas voltando ao filme.
O enredo engloba as datas de 1966 a 1988, do começo dos Jackson 5 a primeira turnê solo do artista. Com foco na construção do Michael artista e na relação desafiadora com seu genitor.
Começa mostrando um Michael de 8 anos, que quando não estava ensaiando, estava se apresentando em lugares e horários inapropriados para uma criança, já que Joseph (o pai) via nele e nos irmãos uma oportunidade de mudar de vida, e além de explorar o talento dos filhos, também era psicologicamente e fisicamente violento com os rapazes, especialmente Michael.
Apesar disso, Michael gostava de cantar e dançar, e isso fazia o grupo se destacar para o público, então o primeiro contrato dos Jackson 5 com uma gravadora não demorou muito para chegar, ele tinha apenas 10 anos. Depois disso, eles começam a fazer mais shows, ganhar dinheiro, mudam de casa, ganham fama, e Michael passa a ser acompanhado por Bill, que além de segurança vira um amigo para o cantor - na vida real Michael tinha Bill como a figura paterna que Joseph nunca conseguiu ser - e essa relação se estende ao longo do filme.
Tem um salto no tempo [na verdade, vários] vemos um Michael adulto que deseja tomar as rédeas da vida e da carreira, mas que esbarra com o obstáculo que é Joseph, que se recusa a deixá-lo sair e usa de todas as artimanhas para continuar lucrando em cima dos filhos.
A crítica não gostou muito do filme, mas o foco da produção era os fãs, e esses foram conquistados, especialmente, porque, apesar de não ser tão fiel aos eventos, o enredo mostra não só o artista, mas a pessoa que Michael era, o que possibilita a conexão do público.
A produção além de priorizar o lado humano de Michael, fez questão de esclarecer um dos maiores equívocos midiáticos em relação a ele, a ideia de que ele queria ser branco, Michael era um artista negro, que tinha vitiligo, sua mudança de cor não foi uma escolha, mas uma condição genética que ele não pôde controlar.
Desde o início, o telespectador percebe a melancolia, mas também os sonhos que persistem, crescem e se renovam; o amor por animais, que ele via como amigos; a solidão de uma pessoa que cresceu na frente dos holofotes; a empatia mesmo em momentos pessoais difíceis; a criatividade e talento para as músicas, coreografias e construção dos clipes; e o desejo de fazer a diferença, Michael era um idealista, como artista ele queria ser o melhor em tudo, mas ele também acreditava que a música unia as pessoas e poderia ser usada para melhorar o mundo.
Além disso, a reprodução de apresentações do artista foram os grandes acertos do longa, tanto as dos Jackson 5, quanto às da carreira solo provocam no telespectador a vontade de cantar e sair rodopiando pela sala de cinema. Sem contar que Jaafar Jackson interpretou tão bem o tio, que em alguns momentos parecia que o próprio Michael estava ali.
Michael é um filme que vale a pena assistir, nem que seja apenas para relembrar a grandiosidade de seus trabalhos artísticos, muito bem representados por Juliano Krue Valdi e Jaafar Jackson.




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