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Mulheres que ocupam espaços: garotinha de 13 anos que desenhava vestidos agora é dona do próprio ateliê em Roraima

revistasorciere
9 de jul.
3 min de leitura

A história da costureira acompanha o crescimento do empreendedorismo feminino no estado.


Por Allyne Bentes


Foto: acervo do Lilli's Ateliê e Costura
Foto: acervo do Lilli's Ateliê e Costura

O número de empresas lideradas por mulheres em Roraima cresceu 35,5% no último ano. Segundo o DataSebrae, mais de 22 mil negócios formalizados estão sob gestão feminina, o equivalente a 44,3% do total de empresas do estado. Entre elas está Lilliam Pereira, que há um ano inaugurou o Lilli's Ateliê e Costura, concretizando um sonho cultivado desde a infância.


“Eu tinha apenas 13 anos e já fazia alguns desenhos, alguns croquis. Me lembro do momento em que percebi que isso poderia se tornar uma profissão. Foi quando completei 18 anos e fui convidada para trabalhar em uma alfaiataria aqui da cidade”, comenta.

Antes mesmo de aprender técnicas de modelagem, Lilliam já imaginava vestidos. Quando acompanhava a mãe até a costureira do bairro, levava desenhos próprios para que fossem transformados em roupas reais. Foi ali que percebeu, ainda criança, que aquilo que rabiscava no papel podia ganhar forma.


“A princípio, foi essa pessoa com quem tive meu primeiro contato com a produção de roupas. Eu também sempre gostei muito de assistir filmes, fazer roupas para bonecas e coisas desse tipo. Além disso, minha mãe tem dotes artesanais. Ela gosta de fazer crochê. Então minha infância foi muito marcada por observar esse tipo de habilidade nas pessoas ao meu redor”, explica.

O setor de Moda e Confecção está entre aqueles com maior presença de mulheres, representando 15,7% das empresas femininas no estado, índice inferior apenas ao setor de Saúde e Bem-estar, que concentra 16,7% da participação. A trajetória de Lilliam também reflete a procura crescente por esses serviços em Boa Vista.


“A demanda aumentou extraordinariamente em pouco tempo e eu vi a necessidade que as pessoas tinham de ter um lugar para isso. Primeiramente eu atendia a domicílio e, então, percebi que não existia um local confortável para as pessoas. Foi por isso que decidi criar um ateliê físico.”
Foto: acervo do Lilli's Ateliê e Costura
Foto: acervo do Lilli's Ateliê e Costura

Nos últimos 12 anos, o empreendedorismo feminino cresceu 42% em todo o território nacional, segundo pesquisa realizada pelo Sebrae. Hoje, mais de 10,4 milhões de brasileiras empreendem no país, refletindo a busca por autonomia financeira e pela ocupação de espaços historicamente negados às mulheres.


Apesar desse avanço, empreender ainda está longe de ser um caminho simples para muitas mulheres. A jornada dupla de trabalho, a dificuldade de acesso a recursos financeiros, a baixa representatividade em determinados setores e o preconceito continuam entre as principais dificuldades enfrentadas pelas empreendedoras brasileiras.


“Um dos maiores desafios no início da trajetória foi que eu me sentia muito inapta por ter apenas o dom e não ter nenhum tipo de curso. Eu também não tinha muito conhecimento sobre finanças, nem sobre leis e direitos do consumidor. Então isso me dava bastante medo e foi um dos desafios que enfrentei”, relembra Lilliam.

Filha de uma dona de casa e de um picolezeiro, a costureira destaca que a falta de capital inicial foi também um dos obstáculos que passou ao estruturar o próprio ateliê.


“Não tinha verba para investimento nem nada. Quando comecei, eu tinha uma sócia que me apoiava muito, mas logo depois ela decidiu sair do ateliê. Então foi ainda mais desafiador continuar sozinha. Além disso, houve alguns prejuízos relacionados à saída dessa sócia, o que acabou me deixando de mãos abanando”, explica.

Apesar das dificuldades, Lilliam contou com uma importante rede de apoio. Foi justamente desse incentivo que surgiu a inspiração para criar a primeira coleção do ateliê, intitulada Amitié, palavra francesa que significa "amizade".


“As vendas da primeira coleção foram muito altas. Como o ateliê cresceu rapidamente, acabamos não conseguindo produzir outras coleções e passamos a trabalhar principalmente sob encomenda.”

Além do ateliê, Lilliam ainda sonha mais alto. Seu objetivo é criar um espaço voltado para atender noivas de baixa renda.


“O que mais me marcou foi o vestido da minha primeira noiva, que era uma amiga minha. Esse vestido foi muito especial porque foi extremamente desafiador de fazer. Além disso, ele deu início a um sonho que tenho hoje: construir um espaço personalizado para noivas, de forma acessível, para que pessoas de baixa renda também consigam realizar esse sonho. Quero criar um ambiente aconchegante, confortável e acolhedor para quem deseja se casar, oferecendo um bom atendimento e uma boa experiência na escolha do vestido”, compartilha.

Para Lilliam, roupas nunca são apenas tecido. Elas guardam memórias, cheiros e momentos importantes da vida. Por isso, ela considera seu trabalho muito mais próximo da construção de lembranças do que da simples confecção de peças.

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