Bastidores do Encontro de Ritmos
Atualizado: 9 de jul.
Aquilo que o público não vê, mas acontece
Por Laura Lima

O Encontro de Ritmos surgiu através de três amigos que precisavam juntar dinheiro para participar do mundial de tango, e desde então vem se repetindo há 16 anos, cada vez melhor e maior, devido ao engajamento de outros grupos, escolas e personalidades da dança.
Na edição de 2026 foram pouco mais de 15 pessoas cuidando da organização e cronograma, e mais de 250 bailarinos divididos em 31 apresentações durante o último final de semana de abril.
Nos bastidores, Alexsandra Paz, presidente do Fórum de Dança, se dividia em ensaiar seu discurso da noite, enquanto andava pelos camarins verificando se tudo estava correndo como o planejado e se os outros dançarinos estavam prontos e bem. Ela também se apresentou nas duas noites do evento, no sábado com o grupo Ministério Remidos do Rei - com uma coreografia inspirada no filme O Cisne Negro - e nas duas noites com o Chara Grupo de Dança - com uma coreografia inspirada no filme O Senhor dos Anéis - ambas as apresentações foram coreografadas por ela.
Os professores Bruna Fernandes e Wilkinson Oliveira também estiveram presentes nos dois dias de evento, no domingo apresentaram, junto com os alunos do Espaço Cultural Harmonia e Ritmo, uma coreografia inspirada no filme “lambada - a dança proibida”, e em ambos os dias ficaram responsáveis por coordenar a equipe de organização, garantindo que o cronograma fluísse como o combinado.
O público pôde prestigiar e se emocionar com coreografias bem elaboradas, uma diversidade de estilos de dança e uma entrega de "arrepiar", sem imaginar que por trás das cortinas os dançarinos enfrentavam adversidades para estar no palco. O grupo de dança “A Moda é Viver” viajou mais de 137km (de Caracaraí à Boa Vista) só para se apresentar no evento. Uma das bailarinas do Ministério Remidos do Rei estava machucada, mas fez a apresentação até o fim mesmo com dor. As meninas da Cia Simone Zahirah foram se apresentar sem a mentora, que estava internada. E o nervosismo ou a dor de cabeça, por maior que fosse em alguns dos dançarinos, não os impediu de entregar grandes apresentações no palco.
O Encontro de Ritmos tem sido o ponto alto de alguns destes dançarinos, que ensaiam semanas, meses e às vezes o ano inteiro, para uma apresentação que dura em média 3 minutos. Cada pessoa que esteve naquele palco abdicou de alguma coisa para se dedicar a dança, muitas vezes sem um retorno financeiro, apenas amor pelo ofício, mas o longo tempo de preparação e trabalho duro valeu a pena, além da aclamação do público, da coxia vimos, mais de uma vez, olhinhos marejados de felicidade pelo dever cumprido.
Os participantes não estavam ali por dinheiro ou prêmios, seu combustível era unicamente dançar e mostrar que o nosso estado tem cultura. Todas as atrações entregaram apresentações dignas de competições mundiais, passando o sentimento de que independente da quantidade de pessoas assistindo, o seu nível de comprometimento seria o mesmo.
O momento mais curioso dos bastidores aconteceu na segunda noite, os dançarinos, que já haviam se apresentado, puderam assistir das coxias as três últimas apresentações do evento, ali não existia uma competição, e sim apoio mútuo entre artistas da mesma categoria, os gritos entusiasmados em cada trecho das coreografias, mudou completamente a atmosfera do ambiente.
Construir um evento não é algo que se faz sozinho, é preciso uma comunidade para transformar planos em realidade. O Encontro de Ritmos mostra exatamente isso, pessoas de diversos estilos de dança, idades e realidades diferentes se juntam de forma voluntária, anualmente, para proporcionar ao público uma imersão cultural através de seus trabalhos, só pelo prazer de estar no palco.
Bruna Fernandes estava certa quando disse "Vocês vão amar, vão se apaixonar e vão querer estar todos os anos lá com a gente - e não só assistindo, mas querendo participar junto também."
Parabéns a todos os envolvidos! Nos apaixonamos e a vontade de começar a dançar foi grande, definitivamente queremos prestigiar as próximas edições. Que venha o Encontro de Ritmos de 2027!




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