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Seres Performáticos

  • revistasorciere
  • 25 de abr
  • 1 min de leitura

Quantas versões de você existem ao longo de um único dia?


Aquela que passa horas em frente ao espelho antes de sair. A que escolhe com cuidado o que dizer, dependendo de quem está ouvindo. Ou ainda a que começa um novo hobby não por desejo, mas porque ele parece interessante aos olhos dos outros. Em todos esses momentos, o que se manifesta são personas moldadas para caber, ainda que parcialmente, em expectativas externas e internas.


Mas existe, de fato, um espaço onde não performamos? Talvez na solitude do quarto, longe de olhares e julgamentos. Ainda assim, se estamos constantemente “representando”, como reconhecer aquilo que é, de fato, verdadeiro?


A palavra performance tem origem na ideia de desempenho e ação: realizar algo com a expectativa de um resultado. Seu uso atravessa diferentes áreas do conhecimento. Nas artes, manifesta-se nas coreografias da dança, na interpretação teatral, nos concertos musicais e na criação de obras visuais. Já nas ciências sociais, refere-se às formas como os indivíduos constroem e expressam identidades, especialmente aquelas relacionadas a gênero, comportamento e pertencimento.


De acordo com Richard Schechner, performar, na vida cotidiana, é enfatizar ações diante de um público, tornando-as visíveis, quase ampliadas. No século XXI, essa lógica parece ter se intensificado. Nunca estivemos tão conscientes de como somos vistos e, consequentemente, tão inclinados a moldar nossas próprias narrativas.

Na primeira edição da Sorcière, exploramos as múltiplas formas de performance: quando ela funciona como expressão, liberdade e criação, e quando se transforma em limitação, controle e esgotamento. Porque, no fim, somos todos seres performáticos. O que nos distingue não é o ato de performar, mas as razões que nos levam a isso.

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