Os corpos que contam histórias no maior evento de dança de Roraima
- revistasorciere
- 24 de abr.
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Na 16ª edição do evento, coreografias inspiradas no cinema revelam trajetórias, desafios e a potência da dança em Roraima.
Por Laura Lima

No Encontro de Ritmos de 2026, o cinema vai além das telas e passa a se transformar em movimento. No palco, histórias ganham corpo, e por trás delas, performam artistas que carregam trajetórias, desafios e diferentes formas de viver a dança. Quatro atrações que se apresentarão no evento foram entrevistadas: a presidente do Fórum de Dança, Alexsandra Paz; o grupo Big Dreams; os professores Bruna Fernandes e Wilkinson Oliveira, do Espaço Harmonia e Ritmo; e as integrantes do grupo Girls Class.
ALEXSANDRA PAZ
Alexsandra, 45 anos, é professora de educação física, bailarina, coreógrafa e presidente do Fórum de Dança. É bailarina de street dance desde 1999, quando começou na Cia de Dança Master Class, e, em 2002, montou seu primeiro grupo de dança. É formada em Educação Física pelo Instituto Federal de Roraima (IFRR) e pós-graduada em Ensino de Educação Física e Artes pelo Centro Universitário FAVENI.
Presidente do Fórum de Dança desde sua criação, em 2010, vem sendo reeleita a cada três anos pelos participantes. Além disso, lidera o Chara Grupo de Dança e o Ministério Remidos do Rei e integra o Fórum de Artes Cênicas e o Conselho Brasileiro de Dança. Na edição de 2026, levará uma coreografia de danças urbanas com o Chara Grupo e uma de danças ministeriais com o Ministério da Dança.
Alexsandra destaca a importância de lutar pelas causas da dança, visando à valorização e ao investimento na cultura, além de acreditar que Roraima possui muitos talentos ainda a serem descobertos.
GRUPO BIG DREAMS
O grupo de dança Big Dreams é formado por Hana, Carol, Lídia e Clarisse. Fundado em 2014, nasceu a partir do interesse em comum pelo K-pop. O nome faz referência ao sonho inicial das integrantes de viajar para a Coreia do Sul. O grupo debutou como cover de K-pop, mas, ao longo do tempo, passou a criar suas próprias coreografias, explorando outros estilos, como o hip-hop. A primeira apresentação fora do K-pop ocorreu no Encontro de Ritmos de 2019. Atualmente, misturam diferentes estilos de dança urbana, mantendo referências à origem do grupo.
Inicialmente com 15 integrantes, o grupo debutou com seis e hoje se apresenta com quatro. Esta será a sexta participação no evento. Segundo Hana, a relação com o evento é de apoio mútuo, já que ela também integra o Fórum de Dança e a organização.

O tema deste ano foi bem recebido pelo grupo, que já apresentou coreografias inspiradas em vampiros e piratas e, desta vez, escolheu um filme de terror. A escolha do filme, da música e do figurino foi proposta por Hana e aprovada pelas demais integrantes, assim como a coreografia, também de sua autoria.
A preparação para o Encontro de Ritmos foi limitada pela rotina das integrantes, e os ensaios ocorreram, principalmente, aos sábados à noite.
CONHEÇA AS INTEGRANTES
Natalia Hana
“No palco é o único momento em que eu sou verdadeiramente eu mesma.”
Hana, como prefere ser chamada, tem 30 anos e atua como produtora audiovisual, escritora, designer, professora de teatro e dançarina. Dança desde os 6 anos.
Caroline Rodrigues
Carol, 27 anos, dança desde a infância, tendo iniciado ao acompanhar familiares em quadrilhas juninas.
Lídia Marques
Lídia, 31 anos, dança há cerca de 22 anos e afirma que a prática é uma fonte de felicidade.
Clarisse Lima
“O que me motiva a dançar é o interesse pela arte, pela sensação de alegria e fortalecimento da autoestima e autoconfiança.”
Clarisse, 28 anos, começou a dançar ainda no ensino fundamental, em projetos escolares.
ESPAÇO HARMONIA E RITMO
O Espaço Cultural Harmonia e Ritmo foi fundado em 2015 pelo professor Wilkinson Oliveira, com a colaboração de alunos e colegas. Antes disso, era conhecido como Espaço Isabel Santos.

Atualmente, Wilkinson e a professora Bruna Fernandes coreografam alunos para apresentações em eventos como o Encontro de Ritmos, com o objetivo de proporcionar a experiência de palco. Trabalham com estilos variados, como forró e dança de salão. O espaço já participou de diversas edições do evento, com diferentes formações e explorando ritmos como samba, tango e outros estilos latinos.
Na edição de 2026, o grupo contará com 10 integrantes, incluindo os professores. A preparação durou cerca de dois meses e meio, conciliando agendas. Wilkinson foi responsável pela escolha do filme, da música e da coreografia, enquanto Bruna atuou nos ajustes técnicos. O figurino foi adaptado a partir do acervo do antigo grupo Harmonia.
CONHEÇA OS PROFESSORES
Bruna Fernandes
Bruna, 30 anos, formada em Serviço Social, dança desde os 14 anos. Sua trajetória na dança começou após um quadro de depressão, quando foi incentivada pela mãe a iniciar aulas.
Participa do Encontro de Ritmos desde a primeira edição, embora nem sempre tenha conseguido conciliar com estudos e dificuldades financeiras. Entre os desafios de preparar um grupo, destaca a organização do tempo, adaptação das coreografias e controle do nervosismo dos alunos. Mas apesar das dificuldades, a professora incentiva a participação:
“Vocês vão se sentir felizes e vão sair de lá com memórias.”
Wilkinson Oliveira
Wilkinson, 44 anos, iniciou na dança em 1998 por meio de um programa social. Desde então, atuou em diferentes espaços, mas está à frente do Espaço Harmonia e Ritmo desde 2015. O professor de dança participou de todas as edições do Encontro de Ritmos e integra o Fórum de Dança desde sua fundação.
Dentre as vantagens de ser dançarino, Wilkinson destaca que a dança proporciona benefícios físicos e psicológicos e amplia a percepção sobre o mundo. Entretanto, ele ressalta a dificuldade na participação em eventos fora do estado devido à falta de incentivo cultural. Sobre o Encontro de Ritmos, ele enfatiza a importância:
“É um dos maiores eventos de dança do estado e dá oportunidade tanto para iniciantes quanto para profissionais.”
GRUPO GIRLS CLASS
O grupo Girls Class surgiu em 2023, a partir de um projeto comunitário da Assembleia Legislativa de Roraima. Nesta edição, contará com oito integrantes. A escolha da coreografia, música e figurino foi guiada pelo tema “filmes”, permitindo identificação das integrantes com a proposta. A preparação deste ano ocorreu ao longo de um mês e meio, com desafios de conciliar horários. Apesar disso, o processo foi considerado positivo. Segundo o grupo, a apresentação marca um momento de inovação, com mistura de estilos e saída da zona de conforto.
CONHEÇA AS INTEGRANTES
Suellen Borges
Suellen, 22 anos, é professora de dança e coreógrafa do grupo, pratica dança desde 2016, sempre gostou da arte e depois que entrou no meio do Breaking sua paixão por este mundo só aumentou:
“Eu danço por amor. Minha arte pode trazer conforto e identificação para os que assistem, dar inspiração para as crianças e isso enche meu coração de alegria.”
Anna Beatriz
Anna, 17 anos, é dançarina há oito anos, começou fazendo ginástica rítmica ainda criança, onde percebeu que a dança é algo muito importante na vida dela.
“Além de gostar de dançar em si, eu gosto muito de me imaginar fazendo parte de uma companhia de dança, indo para competições e fazendo coisas que eu nunca imaginei, porque a dança é muito isso.”
Aryela Maia
Aryela, 16 anos, faz aulas de dança desde 2021, começou com aulas de k-pop e, atualmente, faz aula de jazz e jazz funk há mais de um ano. Segundo ela, sempre foi um sonho aprender a dançar.
“Dançar pra mim é onde eu me divirto depois de uma semana cansativa.”
Emanuela Maia Nobre
Emanuela, 19 anos, dança desde 2021. Disse que começou a explorar o movimento há cerca de cinco anos e, desde então, a prática se tornou parte essencial da rotina dela.
“O que me move são as conexões, as amizades que conquistei através da arte e que preservo até hoje são meu maior combustível. A dança é o meu refúgio, o lugar onde eu realmente me encontro e o que me mantém resiliente. É a minha grande paixão, algo que dá sentido a vida.”
Giselle Damasceno Nakazaki
Giselle, 19 anos, dança desde os 8 anos, começou com balé moderno, depois passou a dançar K-pop. Com o fim da pandemia iniciou aulas presenciais de K-pop e, atualmente, dança K-POP, Jazz funk e Jazz.
“Com a dança eu consigo me reconectar com o meu próprio eu, expresso meus sentimentos, minha paixão, minha admiração e meus aprendizados, o que me motiva a dançar é relembrar a sensação de estar em casa, dançando com pessoas incríveis e compartilhando aquilo que mais amo.”
Isadora D'Ávila
Isadora, 17 anos, dança há cinco anos. Começou em 2021 na Aura dançando kpop com a Suellen, em 2022 foi pra outra escola de dança e voltou em 2023 com a Suellen no Centro de Convivência da Juventude (Ccjuv), se apresentando com o Girls Class. Desde 2025 está no Studio de Dança Núcleo 2 fazendo quatro modalidades de dança para se aprimorar.
“A minha paixão pela dança me motiva, desde pequena sempre amei dançar, me sinto livre e consigo me expressar, além de condicionamento físico. É uma paixão inexplicável que tenho, eu só sinto a dança, é um destino.”
Letícia Melo Rodrigues.
Letícia, 17 anos, dança desde pequena, iniciou no balé, mas logo interrompeu as aulas, e por muito tempo ficou só "brincando de dançar´" com a mãe que também era dançarina na adolescência. Voltou a praticar em 2023, junto com o Girls Class.
“Acredito que tem dois fatores que me motivam a dançar: o primeiro é a felicidade de estar com minhas amigas e saber que temos o apoio uma das outras para passar por esse processo que, por mais que seja gratificante, também é bem estressante. O segundo é a sensação de estar em cima do palco, é muita adrenalina e dá um medo de esquecer a coreografia ou cair, mas mesmo que algo dê errado, no final vale a pena o esforço”.
Sarah
Sarah, 20 anos, dança há cinco anos e começou com o desejo de dançar kpop, devido ao interesse que já sentia pelo gênero musical. Ela encontrou uma aula, começou a frequentar e “tomou gosto” pela dança. Segundo Sarah, o que a motiva a dançar é:
“a satisfação que eu sinto quando danço”
POR QUE VOCÊ DEVERIA IR AO EVENTO
“É um evento onde todos podem conhecer diversas modalidades da dança […] e este ano é gratuito.” — Natalia Hana
“Vocês vão se sentir felizes e vão sair de lá com memórias.” — Bruna Fernandes
“É um dos maiores eventos de dança do estado…” — Wilkinson Oliveira
“Uma explosão cultural com diversos estilos e talentos.” — Girls Class
Mais do que apresentações, o Encontro de Ritmos se consolida como um espaço de encontro entre trajetórias, estilos e histórias que ganham forma no palco. Em cada coreografia, não há apenas movimento, mas experiências, memórias e identidades que se recusam a passar despercebidas.


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